Anti-Super-Heroi que confunde nossa vontade com nossa moralidade.
A primeiro passo, já digo de passagem que simplesmente odiei o filme. Aposto que a maioria de vocês leram coisas muito diferentes sobre isso nos últimos dias (se é que vocês procuraram ler alguma resenha desse filme na internet).
"O Lobo de Wall Street" conta a história verídica e a vida de Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio), um homem que nasceu pobre, mas que com apenas 26 anos já conseguiu faturar milhões e milhões de dólares. Mansões. Carrões. Amigões. Mulherões. Diversões. Tudo isso sobrava indefinidamente na vida do jovem rapaz. Essa quantia exorbitante de dinheirto adquirida pela personagem se deve ao fato do mesmo ser corretor da bolsa de valores de Nova York, portanto trabalhar na Wall Street. Mas não um corretor comum. O que consiste, na realidade, é a venda de ações de baixíssimo valor por um preço absurdo para investidores da bolsa. A vantagem de vender essas ações, conhecidas como "papéis rosa", se reflete no fato do corretor receber lindos 50% de comissão sobre o preço da ação. Diferentemente do 1% de comissão que receberia vendendo as ações de altíssimo valor agregado. Mas como fazer com que investidores comprem tais ações? Como enganá-los? Como persuadí-los? É nesse instante que entra a incrível arte da lábia; o que faz de Belfort um super-heroi para seus colegas. Primeiramente visando investidores pobres, humildes e perdidos, Belfort consegue uma grande quantia de dinheiro. Porém ao longo da vida, percebe que conseguiria atrair investidores de grande peso para o seu jogo malígno. Com a ajuda de seus amigos, principalmente o amoral Donnie Azoff (Jonah Hill), Belfort cria um empresa de luxo, denominada "Stratton Oakmont" para mascarar toda a sua maracutaia.
Inflado e recheado de prostituição, sexo, notas de dinheiro jogadas no lixo, pílulas, relaxantes, anti-depressivos, álcool, cocaína e uma dose dupla de drogas, o grande problema do filme está nas ... isso mesmo ... drogas. A apologia registrada é absurda e deveria ser ilegal. Tudo bem que o filme foi colocado como sendo para maiores de 18 anos, mas tanto vocês quanto eu sabemos que os filmes do Oscar possuem uma amplitude de público muito maior do que isso. O grande erro da apresentação desenfreada das drogas é que mesmo a maioria de nós tendo noção dos problemas que o uso da mesma pode nos causar, é impossível não dar boas gargalhadas nas cenas nas quais os atores estão "chapados"; confidindo assim nossa vontade de rir com a nossa cética moralidade. As personagens utilizam as drogas como se fossem feitas de farinha e água e aparentemente não sofrem nenhum efeito colateral. Nada. Simplesmente nada. O que é ridículo. Quando os problemas pessoais parecem se agravar e o uso das drogas acaba se tornando batido e chato, eles param com os hábitos e continuam a vida, como se não houvesse dependência química, etc. Outro ponto negativo do filme (se você, independente do seu sexo, for feminista vai se revoltar com esse aqui), as mulheres são tão importantes no filme quanto as notas de 100 dóllares que Belfort joga no lixo. Nudez feminia aparece frequentemente, sem o menor rebuliço. A mulher em "O Lobo de Wall Street" foi coisificada. Machismo puro.
Apesar dos pontos negativos e da direção questionável de Martin Scorsese, o que realmente se destaca no filme são suas atuações. Não levando em consideração os papeis ridículos que representam, Leonardo DiCaprio e, chocantemente, mas principalmente, Jonah Hill, atuam com maestria. A escolha de DiCaprio foi necessária e um tanto quanto óbvia, vide a grande safra de filmes feitos juntos com Scorsese. Ele atua bem, é verdade (até mesmo pessoas como eu que não apreciam sua carreira serão obrigadas a admitir). Entretanto, a estrelinha do filme é Johan Hill. Sempre detestei ele, por seus papéis idiotas. Mas aqui sua atuação é excelente. Sua comédia é sensacional. E a indicação ao prêmio de melhor ator coadjuvante, merecida, apesar de todos os protestos nas redes sociais. O elenco ainda conta com o belíssimo, mas insignificante (no filme!!!) Jean Dujardin, astro de "O Artista" e o homem da vez de Hollywood, Matthew McConaughey, que atuou 5 minutos, mas ficou marcado com toda certeza.
"O Lobo de Wall Street" foi indicado a cinco categorias no Oscar, incluindo filme, diretor, ator principal, ator coadjuvante e roteiro adaptado. Dentre esses o único que pode ter chance de levar pra casa é o último, mesmo desconsiderando a incrível quantidade de palavrões (filme na história em que mais se pronuncia a palavra "fuck"). Os outros estão, ao meu ver, fora de questão. Achei certíssimo o fato de não ter sido indicado às categorias técnicas, porque sinceramente o filme é cansativo demais: as 3 horas me custaram 3 anos pra passar, mesmo com todas as cenas e cortes rápidos. Para concluir, reafirmo que, num panorama geral, odiei o filme e que, honestamente, não passa de uma produção chata, contando uma história já contada, de uma forma absurdinha e imoral só pra ser polêmico e acabar na boca do povo.



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