quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

#CRIT - Filme "Gravidade"

Por trás de uma única lágrima flutuante, todo um sentimento.



     Tem que ser uma pessoa muito chatinha pra assistir esse filme e falar com todas as letras de que não gostou de tudo. Existem partes consideráveis e partes irrelevantes, assim como na maioria das grandes produções hollywoodianas feitas para puro entretenimento.

      "Gravidade" é uma ficção-científica que irá nos jogar para dentro do espaço, ou melhor, para fora da Terra. Conta a história de uma engenheira iniciante, a doutora Ryan Stone (Sandra Bullock) e de um astronauta veterano, Matt Kowalsky (George Clooney) que são emitidos pela NASA em um ônibus espacial para uma missão que supostamente consertaria um satélite que possuía falhas. Não há como prolongar a sinopse do longa. Após sofrerem um acidente inesperado, Ryan se desprende da base na qual trabalhava e vaga infinitamente e sem rumo pelo vácuo negro. Após ser resgatada, outras desventuras ocorrem em sequência, durante sua ávida tentativa de voltar em segurança para o planeta Terra, tentando salvar o máximo de pessoas que conseguir ou, se for o caso, apenas a si mesma.

      Este é um filme que foi feito pura e simplesmente para vender. Blockbuster sim, com muito orgulho. Ou se você preferir me chame de "Pipocão Americano". Possuindo apenas 1 hora e 30 minutos cravados no relógio, "Gravidade" é a mais curta das produções indicadas ao Oscar 2014 de melhor filme. Isso não é atoa, com certeza. Um filme curto faz com que nossa experiência com o mesmo seja mais prazerosa, devido ao fato de provavelmente ser menos cansativa; fazendo assim, como que se assista ao mesmo várias e várias vezes. Este é um filme para o cinema. Não acho que na tela de um notebook ou na televisão de sua casa (nem que seja as super revolucionárias, 3D, com mil e um assessórios) tenha o mesmo impacto cinematográfico. A pequena duração do filme também reflete o fato de o enredo não ser tão complexo, portanto acho que não encontraram meios ou motivos para prolongar o filme.


     A grandiosa e necessária crítica que deve ser feita com louvor ao filme é para sua excelente parte técnica. A direção de arte, a fotografia, a montagem e principalmente os efeitos visuais são algo de outro planeta (insira a piada do filme se passar fora da Terra). Foram quatro anos para conseguir finalizar o longa, um tempo considerável de preparo e dedicação que extrapola o limite de tempo que vários diretores comumente utilizam para suas produções. Falando nele, o diretor Alfonso Cuarón merece ser ovacionado de pé. A forma como consegue enquadrar a câmera para captar cada aspecto da obra é absurdo. Conseguindo assim imagens belíssimas de acontecimentos catastróficos (como o acidente com lixo espacial). Ou o modo como conseguiu colocar o planeta e sua imensidão em destaque durante praticamente todo o tempo, passando por várias partes de territórios, desde o Mar Vermelho e o Egito, até a América Central, etc. O que mais impressiona é a forma poética e metafórica com a qual trabalha com sua câmera, focalizando por exemplo uma lágrima flutuante para representar todo o sentimento de ansiedade, angústia e medo que se seguia e se embaralhava dentro da personagem; utilizando assim, com primazia, a gravidade, ou melhor, a falta dela para seu benefício próprio. Incrível.

     Mas sabe o que não foi tão incrível assim? As atuações. Escolhidos a dedo, sem dúvida nenhuma, Sandra Bullock e George Clooney são uns dos nomes mais populares em Hollywood, portanto isso encaixa no quesito do filme ser feito para vender. Não vou negar que eles são excelentes atores, principalmente ela, mas dessa vez a atuação não foi nem um pouco convincente. Ele, no caso é completamente insignificante no filme. Se o diretor substituísse Clooney por um ator de menor credibilidade, aos meus olhos, teria o mesmo efeito. Já Bullock tentou e foi, questionavelmente, indicada ao Oscar de melhor atriz. Não acho que foi merecido. É certo de que o papel era mais introspectivo e intimista, mas mesmo assim havia necessidade de um pouco mais de caos na personagem. Um pouco mais de "falta de calma" e desespero na situação em que estava vivenciando.

      Dez. Esse é o número de indicações que o filme recebeu na premiação do Oscar. São elas: filme, diretor, atriz principal, trilha sonora, edição de som, mixagem de som, direção de arte, fotografia, montagem e efeitos visuais. Bem, Alfonso Cuarón já pode pedir pra sua empregada limpar a estante para receber a estatueta. E o filme é bem provável que leve grande parte desses prêmios técnicos todos (mesmo eu não entendendo o porque de tantas nomeações em categorias de som). Por fim, se você ligar o olhar cético vai acabar achando "Gravidade" entediante e monótomo. Mas se você se permitir, vai ser levantado do chão. Pensem no filme como entretenimento, porque assim, se você olhar pro céu a noite e ver as estrelas, vai conseguir enxergar Sandra Bullock chorando em algum lugar, mais ou menos ali oh! Estão vendo?!


  

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