Quer conhecer a história romântica mais verdadeira do século XXI?
Já digo em primeira instância: não recomendado para toda e qualquer pessoa que está apaixonada e possivelmente lidando com desilusões amorosas. Efeitos colaterais: este filme pode causar dor, angústia, isolamento, muito choro e, por incrível que pareça, felicidade.
"Ela" vai nos transportar para um mundo futurístico. Não é especificado o lugar e nem o ano em que a história se passa, mas fica óbvio ser no futuro. A trama gira em torno do escritor de cartas (sim, esta é sua profissão) Theodore Twombly (Joaquin Phoenix), um homem solitário, depressivo e antissocial, que está lidando com a separação e com um doloroso divórcio de sua esposa Catherine (Rooney Mara). Nesta cidade, a maior parte da população lida diariamente com a tecnologia de uma forma mais rápida e eficaz do que atualmente. Vou explicar. Com uma espécie de aparelho auditivo, apenas com o comando de voz, o cidadão é capaz de escutar os e-mails que recebe, ditar as respostas para os mesmos, pedir para tocar músicas e vários outros artifícios. Uma espécie de "SIRI" (aquela programação dos iPhones) muito mais avançada. Enfim, nesse meio tempo, uma empresa de tecnologia lançou um novo sistema operacional de voz denominado OS1, que se adquirido, com alguns dados pessoais do comprador, desenvolveria um(a) "parceiro(a) tecnológico(a)" para o mesmo. Dessa forma, Samantha (Scarlett Johansson) é programada para Theodore. Esse programa tem acesso a todas as informações da pessoa para que operam, conversam com elas, fazem perguntas, fazem amigos, têm vontades próprias, contam histórias, possuem sentimentos, funcionam como um ser humano. Mas só a voz. Sem um corpo. A relação entre a pessoa e o OS1 é de amizade e pode ser, em alguns casos especiais, um romance. Ao longo do desenvolvimento de sua relação com Samantha, Theodore ainda mantém uma bela amizade com Amy (Amy Adams), uma programadora de videogames que passa por problemas em seu casamento e que também encontra um OS1 para ser sua amiga.
Provavelmente um dos melhores filmes que já foram feitos nos últimos tempos. Conta a relação romântica entre o homem e a máquina de uma forma linda, construindo passo a passo da experiência e nos convence da veracidade dos fatos em todos os segundos do longa. Algumas pessoas podem pensar, ao ler a sinopse, que é muito fantasioso, insano e improvável que isso realmente ocorra. Será? Pare pra refletir na dependência atual dos seres humanos com a tecnologia. Quando a internet foi criada, ela foi taxada como inútil, visto que a população já tinha acesso a televisão. Isso faz algum sentido? Alguém consegue imaginar o caos que seria o planeta sem a internet? Sem a globalização, a instantaneidade de informações e o aniquilamento do espaço pelo tempo? Ontem mesmo assisti um comediante ridicularizando os correios; dizendo que seria melhor se as companhias lessem nossas cartas e nos enviasse as informações por e-mail. E não é verdade? No ciclo social em que vivo, quebrar a tela do iPhone dói mais do que quebrar o coração. O celular torna-se um novo membro do ser humano. Não é tão estranho assim, pensar que algum dia poderemos desenvolver amor por uma voz. Mesmo que não possua olhos, roupas e mãos, é capaz de nos compreender perfeitamente bem. Melhor do que nós mesmos.
O trabalho artístico do filme é algo maravilhoso, a coloração rosa está presente a todo momento, sendo tanto nas roupas quanto na iluminação. Mas a direção de Spike Jonze é razoável. Na realidade, acredito que o verdadeiro mérito dele está no roteiro, perfeitamente estruturado que chega próximo de uma obra de arte. Apesar de cenas apelativas de sexo e linguagem imprópria, que foram inseridas por um motivo desnecessário, o roteiro é excelente. Mas vamos ao que realmente vale a pena. Um nome: Scarlett Johansson. A mulher não apareceu um segundo sequer diante das câmeras e com apenas a voz conseguiu transmitir tanto sentimento, tanta emoção, algo que, sinceramente falta nas atrizes hoje em dia. Meu coração fica despedaçado só de lembrar da personagem. Mesmo não sendo perfeita, ela te encanta e te conquista. Phoenix dá um show a parte, atua sem nenhuma companhia e faz tudo muito bem feito; segurando o filme nas costas. Além disso a sempre maravilhosa Amy Adams está presente só pra "agregar valor" à obra.
"Ela" possui cinco indicações ao Oscar 2014. Filme, roteiro original, trilha sonora, direção de arte e canção original para "The Moon Song", interpretada por Karen O. Acho digno levar pelo menos um desses pra casa, de preferência "melhor trilha sonora". Peças em piano encantam a produção. No geral, apesar de toda a tecnologia envolvida e o contexto futurista, é um filme simples. Tão simples quanto seu nome. Três letras somente, mas para um filme grandioso. O tema central abordado, acima de tudo, é o amor, com suas vantagens e seus vários e vários problemas, alguns que nós até desconhecemos... pelo menos, por enquanto.



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